…E você me faria feliz com um só abraço e um beijo na nuca. E a gente seria perfeitos numa imperfeição que só a gente saberia. E eu iria deitar no teu colo toda vez que precisasse de um porto seguro. E você seguraria a minha mão com tanta força que eu não sentiria medo. Adoraria o meu jeito irreverente e estabanado. Me acalmaria, quando necessário. Sentiria o cheiro do meu perfume de longe.Lembraria de mim numa tarde vazia. Encontraria uma forma de me supreender, e saberia que eu só precisaria de uma boa massagem e um chocolate pra melhorar o humor. E você seria mais centrado do que eu, mais calmo do que eu… Mas eu te faria feliz, mas daquela forma que ninguém esquece. Felicidade que permaneceria. Até o fim. Se tivesse fim.

E enquanto eu caminhava, pensando em um futuro do pretérito, sabe-se lá quando isso aconteceria…  eu ria….


E um dia eu acordei tão confiante, tão bonita, tão realizada,tão surpresa, tão feliz ,tão completa e com a perfeita sintonia comigo mesma, que nem me lembro mais porque um dia eu reclamei de ter passado por tudo isso.
A liberdade realmente, é azul.
Rosa, cinza, bege… A cor não importa, o importante é cair bem com a cor da tua pele e o teu sorriso no rosto.

Acho engraçado aquelas pessoas que tornam da vida , uma agenda. Cheia de tarefas e horários e coisas pra fazer. Tudo pré-agendado, sem espaço para o inusitado.

Sem tempo pro beijo depois do almoço, da cama bagunçada no domingo com as crianças, com tempo cronometrado no banho, com a roupa do outro dia pronta, tudo feito pra que sobre mais tempo e esse tempo não sobra. É que a gente inventa o tempo.

Ah, devo confessar: Sou do tipo que bagunça qualquer lugar onde esteja e em poucos segundos.Gosto de me perguntar “onde é que foi mesmo que eu deixei?” A alegria da dúvida que faz permanecer.Isso mesmo. Prefiro as perguntas sem respostas. Prefiro organizar quando é preciso e só. O resto .. o restodeixa que aconteça. Porque  sempre existe resposta, ao contrário do tempo.

Com ela, a vida, entendi que organizar o tempo e as coisas, ajuda muito. Mas tem o tal do meu lado avesso que adora tudo de cabeça pra baixo. Descabelada, desinteressada,desvairada e extremamente humana e sentimental, porque afinal, tudo tem sentido. Gosto das coisas que dão prazer. A vida da gente é tão regras postas que se a gente parar pra pensar: a gente nem se quer pára pra pensar.

Tem gente que planeja, planeja, planeja…. Como se tivessem o poder. Aí quando a vida vem, e tira do comodismo da vida planejada, a pessoa se estrepa. Exatamente por não saber sair dos trilhos.

Nada depende só da gente. Nossos planos, nosso futuro, nosso crescimento. Tudo depende de.

Diante tudo isso, prefiro pensar do que organizar.


Medo

09Out09

Eu não tenho medo da dificuldade. Tenho medo é do comodismo.


Acho que eu nunca vou perdoar você, por vários motivos. Mas o motivo maior foi porque você não esteve comigo quando o  nosso filho nasceu e por não ter compartilhado aquele momento tão nosso.   Aquele dia, eu chorei sozinha por não ter ninguém pra segurar a minha mão.


Não quer dizer que , eu sei escrever, de certa forma, sobre você?


Sinceridade.

02Out09

Eu disse:  Ahh, eu queria tanto me apaixonar sabe? acho que acabei me apaixonando por mim mesma pela falta de opção.

Ele disse:  Paixão me lembra “cuidado”. O amor é interpessoal, você não pode amar você mesmo.Amor é uma sensação de aconchego, aquela que você sentia no colo da mãe. Como pode sentir isso de você mesma?
Eu disse:  Tá, cala a boca.


Email/Poesia

01Out09

Ah, Aline..

Quer dizer! Ana.

Me mandasses um email ou um poema?
E eu louca pra saber do que têm acontecido, de nomes, de datas, de detalhes… Essa menina. Não precisa de muito pra fazer rima. Reli de novo e como num passe de mágica, estava tudinho Ali. Sem nome ou sobrenome, mas com tanto sentimento sabe? Eu pude até sorrir de canto, enrugar a testa…
Eu tenho dito há algum tempo que, quando éramos crianças, o nosso mundo era aquilo que víamos. Era da altura dos nossos olhos. E o nosso mundo era do tamanho dos nossos amigos. E com o tempo, a gente ( e os amigos) começaram a descobrir seu mundo próprio. e aí o nosso mundo virou grande. Uma aqui perto, outra lá no Sul, outra lá pra “fora” do País.
Agora aguenta coração! Não é possível guardar todo mundo em uma caixinha.

A adolescência fazia com que queressemos viver já, agora, de uma vez. Um, dois e já! E entre tantos atropelos,a amadurecência chega.  que significa isso mesmo, aprender a comer com garfo e faca. E a ser mais cabeça do que coração.Tarefa difícil, quase impossível. Mas, por questão de sobrevivência.

Bastaram-se  4 sessões de terapia para que eu falasse e me escutasse: Não penso mais em mim, não gosto dos mesmos problemas, quero ter minha casa, me diminuo demais, poupo os outros demais. E , pasme! Não me conheço 1/3 do que deveria conhecer;
Tive oportunidade de mudar. Foi como se Deus olhasse pra mim e dissesse “Agora tu estás pronta, filha, toma!”
Mudar de cidade, significa também mudar de vida. Mudar a rua , mudar o quarto, mudar a vista, mudar, mudar, mudar.

Descobri que, tem muitas coisas que não fazemos porque falta alguma coisa mesmo:Tempo, dinheiro.Mas tem uma boa parte delas que a gente não faz porque, simplesmente não quer.

Mas sempre falta. “Falta tanta coisa na minha janela..”
Acho que falta você pra colorir meus dias e me ensinar a ser feliz com tão pouco.


Reticências..


A resposta

22Set09

Sinceramente, não entendia porque decidiu deixá-la.

Ela era e sempre seria a melhor e o maior amor dele. Só sabia que tinha decidido viver independente e imune a qualquer amor além do amor próprio.Era mais fácil assim.

Se era feliz sem ela? Não hesitava em dizer que era. Talvez mais do que quando a tinha do seu lado e vivia cheio de certezas. Mas eram as mesmas certezas, que antes o atormentavam que ele sentia saudade. Estranho sentimento de falta. Faltava algo pra completar a vida dele.

Sabia que controlava os sentimentos melhor que ela. Ela falava o que sentia. Ele não falava, porque simplesmente não sentia mais. Ou então, não sentia o suficiente.Ela nunca fora desse jeito, apesar das dúvidas , ele tinha certeza do amor que ela sentia.  Tinha algo diferente nela e ele sabia o que. Ele, que aconselhou ela ( que ironia) a viver mais por ela, a ser feliz sem tripés. E pelo jeito, ela tinha obedecido. E ele não sabia ao certo se isso era bom ou ruim. Ele a queria longe, mas nem tão longe que não pudesse voltar. E a sensação de não poder mais voltar era esquisita pra ele.

“Só pode ser uma coisa: ela tem outra pessoa.”  Ela sempre fazia isso, sempre substituia pessoas. Era o que ele pensava.  Sem lembrar que todos fazem assim.

Certo dia , não conseguiu conter-se. Precisava de uma resposta : discou o número do telefone dela, que, apesar de não ligar constantemente como fazia antes, sabia de cabeça. Nem reparou nas horas, já era tarde pra ligar. Mas ela atendeu, com uma voz diferente. Ele quis dizer pra ela que sentia saudades e que ela sempre saía da vida dele deixando uma lembrança tão boa que ele sempre queria mais. Fez perguntas triviais, engoliu seco e perguntou : “Você tem alguém?”

Ouviu o suspiro fundo dela, seguido da resposta. ” Sim. Eu tenho a mim.”