Histórias
22 ago 2011 Deixe um comentário
( So
bre as histórias que nos contam, sobre as histórias que contam sobre nós.)
Cada um tem a sua. Escrevemos o nosso ‘era uma vez’ a partir do momento em que nascemos. Começa com a data de nosso nascimento. Data. Horário. Inicia-se com nosso nome e sobrenome.
Nossos pais contam coisas sobre nós que não lembramos. Mas ainda sim era você, era eu, éramos todos nós.
Temos histórias com as pessoas. Que não são necessariamente as mesmas histórias que os outros contam sobre nós.
Em um livro, somos os mocinhos. Já no outro, bem na prateleira de baixo, um pouco empoeirado, viramos os vilões. Fizemos pirraça, achamos que ter boa vontade é o suficiente.Pulamos linhas, comemos letras.
Temos planos, sonhos. E tudo isso faz parte destas histórias. E a vida é isso. Histórias intercaladas com as de outras pessoas, e nunca contadas da mesma forma.
Porque tudo depende do narrador. Da forma que ele vê e descreve.
Nunca fui boa em narrar histórias. Sempre preferi em primeira pessoa.No texto e na vida.
A minha história vira apenas autobiografia para quem lê.
Aprendi que as verdadeiras dores, sofrimentos, felicidades e realizações podem ser vistas aos olhos dos outros, mas nunca da forma que realmente foi sentida.
Fui eu que senti a perda , fui eu que dormi sorrindo, sou eu que persevero acreditando. Seria maldade querer que os outros entendam.
No decorrer da história, criamos atalhos, construímos casas de palha, comemos a maçã envenenada, viramos abóbora depois da meia noite.
Desculpem, queridos. Mas só posso contar a minha história pelo meu ponto de vista. Nelas alguns de vocês podem achar dramalhão mexicano, podem não observar os detalhes que fizeram a diferença. Podem achar força onde eu já não vejo.
Quando compartilho, apenas quero tornar uma história que de minha , passa a ser de todos que a lêem.
Por tanto tempo ouvindo histórias de lobos, fantasmas, bruxas, fadas e princesas, é hora de escrever o “The end”.
O que eu quero dizer é que muitas vezes esperamos que os outros vivam uma história que não podem ser deles. E nunca serão. Os outros dão a devida importância que eles quiserem. E isso não é egoísmo. É, porque simplesmente é assim.
O final feliz da história não depende de quem a conta e sim de quem a faz.



